Diabetes gestacional afeta desenvolvimento cognitivo do bebê

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Tipo da doença pode atingir até 25% das grávidas e prejudicar o desenvolvimento cognitivo do bebê, aumentar propensão da criança à obesidade e à própria diabetes tipo 2 quando adulto

diabetes, síndrome causada pela má absorção ou falta de insulina, já atinge pelo menos 13 milhões de brasileiros de acordo com dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Para a médica especialista em acompanhamento gestacional Jordanna Leão, esses números são alarmantes também para as gestantes. Ela explica que a gravidez requer atenção especial não só em relação a alimentos nocivos ao feto, mas com a dieta em geral. “Toda gestante que não adota uma alimentação saudável corre o risco de desenvolver diabetes mellitus gestacional”, alerta.

Impacto do diabetes

De acordo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a doença pode atingir até 25% das mulheres grávidas e é considerada o problema metabólico mais comum da gestação. Para Jordanna, isso pode estar ligado a um impacto negativo do desenvolvimento dessas crianças. “O estado inflamatório da mãe durante a gravidez já demonstrou relação com menor desenvolvimento cerebral de bebês de até dois anos de idade”, explica.

No mesmo sentido, um estudo do Departamento de Psicologia da Universidade de Yale aponta que os filhos de mães que enfrentam processos inflamatórios durante a gestação estão mais suscetíveis a psicopatologias.

Além disso, um novo estudo realizado pelo Anschutz Medical Campus da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, evidencia uma associação direta entre a função placentária em mulheres grávidas e futuros distúrbios metabólicos em crianças e adultos. De acordo com a pesquisa, 50% de todos os diabetes tipo 2 em adultos jovens são causados pela exposição ao ambiente intrauterino em mulheres grávidas com obesidade ou diabetes gestacional.

Fatores de risco

A médica explica que o corpo humano se desenvolveu para garantir a quantidade de açúcar necessária ao feto, mas desde então os hábitos alimentares mudaram. Atualmente, muitas gestantes têm uma dieta rica em carboidratos e pobre em fibras, o que pode desencadear a síndrome metabólica.

Ainda que toda mulher corra risco de ter DMG, Jordanna explica que alguns fatores podem aumentar as probabilidades. “Aquelas que engravidam após os 35 anos, já estão acima do peso, que possuem histórico familiar de diabetes, que sofrem de síndrome do ovário policístico e que possuem estatura menor 1,5 m possuem maior risco de desenvolvê-la”, destaca.

Além dos efeitos sobre o desenvolvimento cognitivo do bebê, a especialista ressalta que a doença pode ainda elevar o risco de pré-eclâmpsia durante a gravidez.

Outros efeitos do diabetes no bebê

Mais do que isso, a especialista acrescenta que os bebês que se desenvolvem sob os efeitos do diabetes no organismo das mães tendem a nascer acima do peso, têm dificuldade de amamentação e apresentam quadros de hipoglicemia.

“Outro fator importante é que a DMG descontrolada aumenta o risco do desenvolvimento de alterações cardíacas no feto. E não é só isso. As pesquisas estão mostrando que o desenvolvimento do bebê nesse ambiente alterado produz uma “programação metabólica” do feto, aumentando o risco desse bebezinho desenvolver alergias e diabetes do tipo 2 quando adulto”, pontua.

Para evitar esses problemas, Jordanna ressalta a importância da orientação adequada. “Toda mãe quer o melhor do mundo para seu filho, mas muitas vezes não tem percepção do impacto que as escolhas erradas podem causar na saúde do seu bebezinho”, completa.

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