Pandemia gera polêmica entre condôminos e condomínios

Por: Angéllyka Malta

Alguns condomínios de Goiânia ainda não reabriram as academias e piscinas para uso dos moradores. A pandemia se estende a cada dia e os moradores se sentem lesados ao pagar pelo condomínio e não poder usufruir de algumas regalias do mesmo. O decreto assinado dia 13 de julho, pelo governador de Goiás Ronaldo Caiado, liberou o funcionamento de academias juntamente com mais alguns setores comerciais, caso se enquadrassem as normas sanitárias. 

O Sindicato das Imobiliárias e Condomínios do Estado de Goiás (Secovigo) divulgou uma cartilha de recomendações aos síndicos e gestores de condomínios com base nos Decretos Estadual e Municipal de Goiânia e normas sanitárias.  Essa cartilha possui inúmeras orientações e proibições. Em relação a reabertura das quadras poliesportivas, piscinas, academias o representante da assessoria jurídica do (Secovigo), Cássio Oliveira afirma que o decreto prevê possibilidade de abertura, mas não uma obrigação. E ainda diz que os condôminos e condomínio podem definir de acordo com seu planejamento, pois existem de pequenas a gigantescas academias em condomínios da cidade e a manutenção seria a partir da realidade de cada um deles.

Na oposição a reabertura existem condomínios que afirmam que o valor aumentaria muito para se adequarem as exigências sanitárias. O que entra em confronto com a visão de alguns moradores.

A educadora social Karine Dias, proprietária desde 2010 de um apartamento no Condomínio Village dos Alpes em Goiânia, afirma que não acredita ser necessário contratar uma empresa somente para cumprir essas exigências sanitárias, como foi afirmado à ela pela a administração do condomínio. “Já temos uma empresa de limpeza, que já tem por obrigação usar produtos adequados e seguir protocolos nos elevadores e nos demais locais. A academia é só mais um local.” 

Outra moradora desse condomínio inquilina há 4 anos, Ingrid Vieira supervisora do Telejudiciário do Tribunal de Justiça, reclama que na gestão atual do condomínio não há boa comunicação, interação e vontade de contribuir para melhorias coletivas o que acaba prejudicando alguns condôminos. “O que queremos é somente uma comunicação melhor e ser atendidos no funcionamento da academia e área de lazer. Sendo que observamos que já foi autorizado em decreto o retorno das atividades dos prédios.”

Em sumária conversa, a administração do Condomínio Village dos Alpes afirmou que se os moradores registrassem o pedido formalmente a reabertura da academia poderia entrar em nova assembleia, porém a mesma decidiu não se manifestar em entrevista formal.

No Brilhante condomínio Clube, setor Eldorado, a academia cumpre todas as normas sanitárias e encontra-se aberta para uso dos moradores. As piscinas também foram liberadas com horário agendado para os moradores fazerem seus exercícios com orientação do profissional de educação física e assim continuarem seus tratamentos não farmacológicos. O síndico e 1° sargento do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) Rogério Camilo explicou que conseguiu uma economia de R$ 10 mil por não estar usando o aquecimento da piscina e que pelo fato dos salões de festa e churrasqueiras também não serem usadas durante a pandemia conseguiu remanejar a limpeza para academia, o que não ofereceu despesas extras ao condomínio. Ele ainda confirma que o exercício é extremamente importante para saúde mental e física. “Eu fiz o projeto da academia do condomínio e temos projeto para aumentá-la.” Camilo é síndico a quase cinco anos e incentiva de todas as formas a prática e a valorização do exercício físico.

O professor da Faculdade Anhanguera de Brasília Mestre em biotecnologia e ciências genômicas e Doutor em biotecnologia Gutemberg Delfino alega não ver nenhum argumento que tenha sustentado o fechamento das academias. “Bastava ter aplicado as medidas de proteção que vem sendo praticadas que tudo estaria resolvido.”

Já está mais que comprovado que o exercício físico é essencial para a saúde e oferece inúmeros benefícios, aumenta imunidade, trata de forma não farmacológica 27 doenças crônicas não transmissíveis. E recentemente pesquisadores ainda descobriram que o hormônio irisina, liberado durante a prática de exercício físico pode auxiliar no combate a replicação do COVID-19 em células humanas. O que nos faz concretizar a necessidade dessa prática assídua no nosso cotidiano. A irisina responde melhor em exercícios de alta intensidade, como musculação e HIIT (High-Intensity Interval Training) Treino Intervalado de Alta Intensidade com base no artigo (DE OLIVEIRA et al., 2020). Esses dados segundo a assessoria jurídica do Secovigo podem estimular aos condomínios a deliberar sobre a reabertura das academias.

O ideal para condôminos e condomínios é chegar a um acordo de abertura das áreas liberadas cumprindo as normas sanitárias. A vida em comunidade não tem se mostrado fácil nessa pandemia, todas as pessoas que buscam de alguma forma qualidade de vida e saúde em meio a tantas restrições não deveriam ser negligenciadas.

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