15 de agosto de 2020

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Dia Nacional da Saúde: profissionais alertam para cuidados com a audição

A data, comemorada no próximo dia 5, visa mostrar à população a importância de se cuidar, manter exames e consultas em dia

Na próxima quarta-feira, 5 de agosto, é celebrado o Dia Nacional da Saúde. Neste dia, muito se fala sobre a importância da atividade física, de cuidar do coração, da pele, mas pouco se discute sobre os cuidados com a audição, a fala e o olfato. Assim como os outros órgãos, a audição também envelhece e precisa de monitoramento desde a infância até a terceira idade. Alguns hábitos garantem a longevidade de uma boa audição e, em contrapartida, outros agravam os riscos de desenvolver alguma deficiência.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a surdez atinge 28 milhões de brasileiros. Isso representa 14% da população do país. A nível mundial, a entidade aponta que 10% da população têm alguma perda auditiva e boa parte dessas pessoas teve a audição danificada por exposição excessiva a sons. Esses números aumentam cada dia mais e a falta de cuidados é o maior responsável. “Em geral as pessoas não têm o hábito, de pensar na saúde auditiva. Nós, profissionais da área, percebemos que pouquíssimos profissionais colocam avaliação da audição dentro dos exames de rotina, tanto de criança quanto de adultos e idosos”, alerta a fonoaudióloga da ParaOuvir Erica Bacchetti.

Outro levantamento da OMS mostra que 900 milhões de pessoas em todo o mundo poderão vir a ter surdez até 2050, quase o dobro da quantidade atual. Por esse motivo, a surdez é uma das cinco prioridades da OMS para este século. “É muito importante cuidar melhor da audição porque ela é responsável por nos conectar com as pessoas. Por meio da audição a gente se comunica, a gente conversa, a gente escuta uma história marcante, ouve uma música que emociona a gente. No caso das crianças, a audição faz a gente aprender”, afirma a fonoaudióloga.

Cuidados

Assim como qualquer outra parte do corpo humano, a audição precisa de atenção especial. Para manter a saúde do tecido auditivo em dia, são necessários cuidados básicos como não se expor a barulhos muito altos em fones de ouvido, evitar introduzir objetos e deixar cair água dentro do canal auditivo, pois isso, pode causar infecções.

O cotonete também é um vilão quando o assunto é audição. As hastes flexíveis são para limpar a orelha, como explica a fonoaudióloga. “O hábito de limpar dentro do ouvido com o cotonete pode ser um risco, principalmente porque ele pode machucar o tímpano. Ele serve para a gente passar só na parte externa do ouvido”, indica Erica.

A médica otorrinolaringologista Larissa Vilela, do Hospital Anchieta de Brasília complementa que a limpeza deve se restringir à parte mais externa do ouvido, região conhecida como pavilhão auditivo, utilizando-se apenas uma toalha fina ou lenço de papel envolvendo o dedo. “A manipulação das regiões mais internas do conduto auditivo com as conhecidas hastes flexíveis ou com qualquer outro instrumento pode causar impactação de cerume formando as rolhas de cerume ou, até mesmo, machucar as delicadas estruturas do ouvido”, pontua.

Ela alerta que o uso incorreto das hastes flexíveis pode levar a problemas sérios, e até a surdez. “Essa limpeza de forma errada pode levar à formação de rolhas de cerume que obstruem os condutos auditivos causando perda da audição que se resolvem, somente, após a limpeza adequada com o Otorrinolaringologista”, afirma Dra Larissa.

Fala, especialista

De quanto em quanto tempo deve-se realizar a limpeza e retirada da cera com um profissional?

Larissa Vilela aponta que a necessidade de limpeza dos ouvidos é extremamente individual, variando desde pacientes com necessidade de limpeza regular a cada 3-6 meses até pacientes que não precisam fazer a limpeza dos ouvidos em consultório. “Nosso corpo já possui um mecanismo de retirada do excesso de cerume. Se não atrapalharmos com uso das hastes flexíveis, esse processo acontece de forma natural, sem necessidade intervenção do Otorrinolaringologista”, acrescenta. “Mas alguns pacientes apresentam maior produção de cerume ou possuem condutos auditivos mais estreitos que dificultam esse processo e, assim, precisam de limpeza em consultório”, detalha.

Quando procurar um especialista?

Segundo a médica, em caso de quaisquer alterações auditivas como perda auditiva, sensação de ouvido tampado, zumbido, tontura, dores de ouvido, dentre outras, a pessoa deve procurar um Otorrinolaringologista. Após a avaliação médica, será analisada a necessidade da solicitação de exames específicos e encaminhamento para o Fonoaudiólogo.

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